Observe as nuvens no céu. Escolha uma delas e acompanhe-a em sua trajetória. Ela está em constante transformação. É difícil dizer quando ela nasceu exatamente, mas em algum momento, ela volta a ser água. Assim são as pessoas. É preciso abandonar estas ideias ocidentais de nascimento e morte. Tudo está em constante transformação. Em algum momento, o corpo físico deixa de existir, assim como a nuvem depois da chuva. A água não vai voltar a ser exatamente a nuvem da qual ela fez parte, mas ela não deixou de existir. Apenas se manifesta de um outra forma.

Nascimento e morte são como os dois lados de uma folha de papel. Um não existe sem o outro. São inseparáveis. Observe sua própria pele. Para que novas células possam nascer, é preciso que outras morram, renovando constantemente a epiderme. Mesmo os átomos que compõe nossos corpos estão aí há milhões de anos. Talvez tenham sido parte de outro corpo, de outro ser vivo, ou até mesmo de alguma estrela distante.

Reunir os trabalhos do antigo museu de arte naïf é dar nova vida a eles. O museu não foi remontado, mas ganhou uma nova manifestação. Podemos reconhecê-lo ali, mas não é o mesmo. Como que em seu último suspiro, tivesse trazido um ar diferente para seus pulmões; um ar que já tivesse passado pelo ar dos pulmões de outros artistas nomeados contemporâneos. Talvez realmente não exista essa separação entre eles. Criar categorias para arte seja apenas uma ilusão.

Sou artista visual e escrevo contos baseado em exposições.

Sou artista visual e escrevo contos baseado em exposições.