Leo Ayres

May 24, 2019

2 min read

Na floresta, o monge cortava bambus com seu sabre quando ouviu um ruído peculiar. Quando olhou para trás, tomou um susto com a criatura que estava ali. Muitas vezes havia escutado histórias sobre o monstro habitante daquela região, mas pensou se tratar apenas de uma lenda. Vivia ali há milhares de anos e já havia dizimado diversas tribos. Notícias sobre o desaparecimento de uma equipe médica e de construtores civis atribuíam a causa a este ser fantástico. Uma orquestra de músicos também havia sumido e o único sobrevivente foi considerado louco quando contou o que havia se passado.

Quimeras de Cláudio Cretti na galeria Cássia Bomeny

Talvez finalmente tivesse chegado seu dia e antes que pudesse ser atacado, partiu para cima do monstro com seu sabre, desferindo um golpe no ar. Atrás de si, apenas ouviu um som similar a uma risada. Novamente tentou atacá-lo sem sucesso. O monstro se locomovia de modo extraordinário. Seu corpo era composto dos objetos de suas vítimas: artefatos de povos originários, partes de instrumentos musicais, materiais de construção, penas de pássaros e galhos de árvores. Tudo se conectava e parecia a todo instante assumir novas configurações fazendo com que o bicho se movesse de forma ágil. O monge o observava atentamente buscando localizar algum ponto fraco. Deveria haver algum modo de detê-lo.

Foram incontáveis tentativas de atingí-lo, numa coreografia incansável, até que o monstro falou — Você nunca irá me alcançar, pois consigo ler seus pensamentos. Diante da impossibilidade de matar aquele ser misterioso, o monge voltou à sua tarefa de cortar bambus. O monstro ficou se movendo ao seu redor, ensaiando investidas às quais o monge não esboçava qualquer reação a não ser por pequenas gotas de suor frio em sua testa. Concentrou-se o máximo possível em seu trabalho, mantendo sua visão periférica em estado de alerta. A criatura chegou bem perto e disse — O que foi? Desistiu de tent… E antes que ele terminasse sua frase foi atingido mortalmente pelo sabre.

Sou artista visual e escrevo contos baseado em exposições.

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